O déficit das empresas estatais federais alcançou R$ 6,35 bilhões no acumulado até outubro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado, um dos piores da série histórica, foi impulsionado principalmente pela grave crise financeira dos Correios, que sozinha derrubou o desempenho do setor e obrigou o governo a bloquear R$ 3 bilhões do orçamento para compensar o rombo.
De acordo com o relatório, as despesas das companhias públicas superaram com folga as receitas nos dez primeiros meses do ano, aproximando o saldo negativo de todo o recorde de 2024, mesmo antes do encerramento anual.
O maior problema se concentra nos Correios, que registraram prejuízo superior a R$ 4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, com projeção de encerrar o ano acumulando R$ 10 bilhões em perdas. Apesar da situação crítica, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a descartar a privatização da empresa. A estatal aposta em um novo plano de reestruturação, que promete levantar R$ 20 bilhões em receitas e economias futuras.
Outras estatais também pressionam o caixa federal. A Eletronuclear solicitou um aporte de R$ 1,4 bilhão ao Tesouro Nacional para cobrir necessidades emergenciais. No relatório de Riscos Fiscais da União, o governo alerta que outras companhias podem seguir o mesmo caminho ao longo do ano, elevando a tensão sobre as contas públicas.
O cenário reforça a preocupação de especialistas com o impacto das estatais no equilíbrio fiscal e evidencia os desafios do governo para conter déficits crescentes enquanto tenta evitar novas contenções orçamentárias.


