A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta terça-feira (9) um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele seja autorizado a realizar cirurgias no Hospital DF Star, em Brasília, e para cumprir prisão domiciliar por razões humanitárias. Bolsonaro está preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal, após condenação por tentativa de golpe de Estado.
No documento, os advogados afirmam que o ex-presidente apresenta crises persistentes de soluço e agravamento de uma hérnia inguinal, condições que, segundo eles, exigem intervenções cirúrgicas imediatas. O relatório médico anexado recomenda dois procedimentos: um bloqueio anestésico do nervo frênico, para controlar a hiperatividade do diafragma, e uma herniorrafia inguinal convencional.
De acordo com o laudo, Bolsonaro “tem se queixado de dores e desconforto na região inguinal, potencializados pelo aumento de pressão abdominal intermitente, causada pelas crises de soluço”. Os médicos estimam que as cirurgias exigiriam internação entre cinco e sete dias, com necessidade de anestesia geral e monitoramento contínuo.
Os advogados também argumentam que o agravamento do quadro clínico torna a permanência em ambiente prisional incompatível com as necessidades do ex-presidente. Segundo a defesa, Bolsonaro possui comorbidades que elevam o risco cardiovascular, o que demanda acompanhamento especializado e resposta imediata em caso de instabilidade.
No documento, os representantes legais afirmam ainda que a manutenção da prisão preventiva representa “risco claro, imediato e concreto à vida” do ex-presidente. Eles também contestam os fundamentos utilizados anteriormente para transformar o regime domiciliar em prisão preventiva, classificando como inexistente o risco de fuga e atribuindo a suposta tentativa de violar a tornozeleira eletrônica a um quadro de “confusão mental”.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou sobre o pedido. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e continua detido preventivamente.


