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Autoridades do Irã negam condenação à morte de manifestante detido

Autoridades afirmam que Erfan Soltani responde por crimes que não preveem pena capital; caso ganhou repercussão após declarações de Trump.

O Judiciário do Irã afirmou nesta terça-feira (14) que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, permanece preso, mas não foi condenado à pena de morte. Segundo comunicado do Judiciário iraniano reproduzido por veículos estatais do país, o jovem responde por crimes que não preveem a pena capital.

De acordo com comunicado citado pela mídia estatal, Soltani foi detido sob acusação de conspirar contra a segurança interna e de realizar atividades de propaganda contra o regime. O Judiciário ressaltou que nenhuma dessas infrações é punida com pena capital no país.

A manifestação oficial ocorreu poucas horas depois de a ONG Hengaw para os Direitos Humanos informar que a execução do jovem, supostamente marcada para esta semana, havia sido adiada. A entidade afirmou ter obtido a informação junto a familiares do manifestante, o que intensificou a repercussão internacional do caso.

A situação ganhou ainda mais destaque após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter recebido relatos de que o Irã teria interrompido execuções relacionadas aos protestos. Em conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump disse que as informações vieram de uma fonte considerada confiável, mas ponderou que os EUA seguiriam atentos ao desenrolar dos acontecimentos.

“Ouvimos que a matança no Irã parou e não há planos para uma execução ou execuções. Disseram-me isso de uma fonte confiável. Vamos descobrir. Tenho certeza de que, se acontecerem, ficaremos muito chateados”

As falas de Trump ocorrem em meio a uma escalada de tensão entre Washington e Teerã. Nos últimos dias, o republicano tem feito discursos públicos incentivando manifestantes iranianos a manterem os protestos e a desafiarem as autoridades da República Islâmica. Organizações independentes estimam que a repressão aos atos já tenha causado cerca de 3.500 mortes, segundo dados da entidade Iran Human Rights (IHR).

O presidente dos EUA chegou a mencionar a possibilidade de ataques aéreos como forma de pressionar o governo iraniano a cessar a repressão. Apesar disso, a Casa Branca afirmou que a via diplomática permanece aberta. A secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, disse que representantes iranianos adotaram um tom mais conciliador em conversas recentes com o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff.

No fim de semana, Trump classificou a morte de manifestantes como uma “linha vermelha” e afirmou que líderes iranianos solicitaram diálogo, embora os Estados Unidos possam agir antes que qualquer encontro aconteça. Em publicações nas redes sociais, o presidente também conclamou a população iraniana a ocupar instituições e responsabilizar autoridades envolvidas na repressão.

Em resposta, o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, acusou os Estados Unidos de promover instabilidade política e incentivar a violência no país. Em carta enviada ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o diplomata afirmou que Washington e Israel seriam responsáveis pela morte de civis durante os protestos recentes, especialmente entre jovens.

O caso de Erfan Soltani segue sob observação internacional e reforça as divergências entre relatos de organizações independentes e a versão apresentada oficialmente pelo governo iraniano.

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