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Morre Raul Jungmann, ex-ministro e ex-deputado federal, aos 73 anos

Político com atuação em diferentes governos estava internado em Brasília e tratava um câncer no pâncreas

Brasília - O ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, discursa durante cerimônia de posse, no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann morreu na noite deste domingo (17), aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no hospital DF Star, onde realizava tratamento contra um câncer no pâncreas diagnosticado em meados de 2024. Ao longo de sua carreira, Jungmann ocupou cargos estratégicos em administrações de diferentes correntes políticas e manteve influência nos bastidores do poder até os últimos anos de vida.

Natural de Recife (PE), Jungmann iniciou sua trajetória política durante a ditadura militar, quando militou no então Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi eleito vereador da capital pernambucana e, posteriormente, participou da fundação do PPS, além de ter passado por outras siglas, como o MDB. Seu histórico de oposição ao regime de 1964 e a capacidade de dialogar com diferentes campos ideológicos marcaram sua atuação pública.

Ao longo da carreira, Jungmann comandou cinco ministérios. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), esteve à frente das pastas do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. No período em que liderou a reforma agrária, ganhou projeção nacional em meio a conflitos no campo, incluindo o massacre de Eldorado do Carajás, enfrentando críticas tanto de setores ruralistas quanto de movimentos sociais.

Eleito deputado federal em 2002 pelo PPS, exerceu mandatos entre 2003 e 2011 e voltou à Câmara entre 2015 e 2016. Em 2017, foi nomeado ministro da Defesa pelo então presidente Michel Temer. No ano seguinte, assumiu o recém-criado Ministério da Segurança Pública, período em que coordenou a intervenção federal no Rio de Janeiro.

Durante sua gestão na área da segurança, ocorreu o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista. Jungmann classificava o crime como um reflexo da “metástase do Estado paralelo”, em referência à atuação de milícias e do narcotráfico.

Em 2024, após a descoberta de tumores no pâncreas e no peritônio, iniciou tratamento oncológico que se estendeu até 2025, quando passou a receber cuidados paliativos. Mesmo com a saúde debilitada, ainda participou de articulações para a criação de um novo marco legal das Forças Armadas, em parceria com o ministro da Defesa, José Múcio, proposta que não chegou a ser concluída.

Foto: REUTERS/Brian Snyder

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