O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu, até o início de março, cerca de 12% das 6.227 obras de educação previstas para a atual gestão. Os dados, obtidos por meio de painéis oficiais do governo federal e analisados pela Folha de S.Paulo, indicam um ritmo considerado limitado na execução administrativa e financeira de projetos voltados à ampliação da infraestrutura escolar no país.
Parte dessas iniciativas integra o Novo PAC Seleções, que concentra investimentos federais em creches, pré-escolas e unidades de ensino em tempo integral. Entre 2.443 propostas cadastradas em 1.753 municípios, apenas uma obra foi concluída até o momento: uma creche no município de Assaré, iniciada em 2024.
De acordo com o monitoramento, 1.069 obras estão atualmente em execução, enquanto 24 foram canceladas. Outras 572 estão em fase de licitação e 775 permanecem apenas cadastradas, sem início efetivo da construção.
A execução orçamentária também apresenta um percentual reduzido. Dos R$ 15 bilhões previstos para obras educacionais no Novo PAC, cerca de R$ 1,2 bilhão foram pagos até agora, o que corresponde a aproximadamente 8% do total planejado.
A maior parte dos projetos está voltada à educação infantil. Creches e pré-escolas representam 69% das iniciativas, enquanto 28% correspondem a unidades destinadas ao ensino em tempo integral, áreas consideradas estratégicas para ampliar o acesso e a permanência de alunos na escola.
Entre os estados com maior número de projetos cadastrados estão Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Maranhão.
Apesar das iniciativas, dados educacionais apontam que o país ainda enfrenta alta demanda por vagas em creches. Em 2025, havia 826.371 crianças na fila de espera por atendimento. Levantamento do Gaepe-Brasil, realizado em parceria com o Ministério da Educação, mostra que 52% dos municípios brasileiros reconhecem não conseguir atender toda a demanda por educação infantil.


