As mudanças nas regras do abono salarial devem retirar cerca de 4,56 milhões de trabalhadores do benefício entre 2026 e 2030, segundo estimativa do Ministério do Trabalho. A projeção consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso Nacional e aponta uma redução gradual no número de beneficiários ao longo dos próximos anos.
O abono é pago anualmente a trabalhadores que atendem critérios como renda de até dois salários mínimos, tempo mínimo de trabalho com carteira assinada e cadastro no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos. Com as novas regras aprovadas no fim de 2024, o limite de renda para acesso ao benefício passará a ser corrigido apenas pela inflação, enquanto o salário mínimo terá aumento real.
Na prática, isso reduz progressivamente o alcance do programa. Em 2026, terão direito ao abono trabalhadores que receberam até 1,96 salário mínimo, o que já exclui cerca de 559 mil pessoas. Esse limite cairá para 1,89 em 2027, 1,83 em 2028, 1,79 em 2029 e 1,77 salário mínimo em 2030, ampliando o número de excluídos ano a ano.
Apesar da redução no público atendido, os gastos totais com o benefício devem crescer devido ao aumento no número de trabalhadores com carteira assinada. A estimativa é que as despesas subam de R$ 34,36 bilhões em 2026 para R$ 39,27 bilhões em 2030, impulsionadas pela expansão do emprego formal no país.


