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Morte de bebê indígena por desnutrição expõe situação de vulnerabilidade em comunidade de Betim

Criança da etnia Warao morreu após quadro grave de desnutrição e desidratação; voluntários relatam que outras crianças também enfrentam problemas semelhantes.

Prefeitura de Betim

A morte de uma bebê indígena de 1 ano e 4 meses, da etnia Warao, reacendeu o debate sobre as condições de vida na ocupação Terra Mãe, no bairro PTB, em Betim. A criança faleceu na última quinta-feira (28/05), após três dias internada no Centro Materno-Infantil (CMI) com desidratação e desnutrição crônica grave.

O pediatra voluntário Cícero Augusto Alves Araújo, que acompanha a comunidade, relatou que a menina já apresentava sinais avançados de fragilidade física antes mesmo da internação. Como a família havia chegado à ocupação há cerca de um mês, ainda não possuía cadastro na Unidade Básica de Saúde (UBS) local, o que inviabilizou o acompanhamento preventivo.

O estado crítico da criança foi identificado pela voluntária Flávia Gomes, do projeto Terra Mãe, que acionou o Samu após notar que a bebê tinha dificuldades para respirar e chorar. Apesar do socorro e da internação, o quadro se agravou e a menina sofreu paradas cardíacas antes de falecer.

O caso acendeu um alerta para outras crianças da ocupação. Uma irmã da vítima, avaliada como bebê de alto risco, foi encaminhada para acompanhamento especializado com o apoio da Promotoria de Justiça. Segundo o pediatra, há outros menores com sinais de desnutrição e histórico de internações recorrentes.

Em nota, a Prefeitura de Betim lamentou o óbito e anunciou a criação de um comitê intersetorial para avaliar o caso, identificar falhas no fluxo de atendimento e fortalecer as ações de saúde e assistência social. O município ressaltou que o monitoramento dessa população enfrenta desafios devido à alta mobilidade das famílias, à chegada constante de novos grupos vulneráveis e a barreiras culturais e linguísticas.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a investigação epidemiológica do óbito é obrigatória e deve ser concluída em até 120 dias, para posterior análise do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal.

A ocupação Terra Mãe acumula outras ocorrências graves. Em 2025, um bebê da mesma etnia morreu por síndrome respiratória aguda grave e, meses depois, uma adolescente indígena grávida faleceu durante o parto no CMI. Os episódios reforçam a cobrança de voluntários por ações urgentes e estruturais para a comunidade Warao na região.

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