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Marcelo Aro, Vorcaro e o risco que Flávio Bolsonaro corre em Minas

Alerta vermelho no PL mineiro: apoiar Marcelo Aro é abraçar um pacote de riscos políticos, judiciais e de imagem que pode contaminar Flávio Bolsonaro e o partido em Minas

Enquanto o PL discute se entrega o governo de Minas Gerais a Marcelo Aro (PP) ou se segue a orientação de vários de seus próprios deputados e lideranças importantes que defendem candidatura própria o cenário se desenha como um dos maiores riscos políticos da temporada eleitoral. Aro, ex-secretário da Casa Civil e de Governo do Zema, chegou a ser cotado como “plano B” após a indefinição de Cleitinho. Mas o custo pode ser altíssimo.

O fantasma Vorcaro e o império fotovoltaico na Cemig SIM

A reportagem de O Tempo desta semana expõe o que já circulava nos bastidores: um conglomerado bilionário de usinas fotovoltaicas (categoria GD) montado em velocidade “milagrosa” em Minas, com participação de Daniel Vorcaro (preso e alvo da Operação Compliance Zero) e do senador Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do partido de Aro.

A Cemig SIM, subsidiária da estatal mineira, virou, segundo as denúncias, um “feudo” do PP a partir de 2024. Diretores comerciais ligados ao entorno de Aro Iran Barbosa e depois Rubens Soalheiro ocuparam postos-chave exatamente no período em que os negócios de Vorcaro e família avançaram forte. A Green Investimentos S.A., controlada pelo grupo Vorcaro, teria recebido autorização para dezenas de usinas. Ciro Nogueira adquiriu 30% da Green por apenas R$ 1 milhão, enquanto o valor de mercado das usinas envolvidas chega a centenas de milhões (estimativas apontam fatia equivalente a cerca de R$ 150 milhões). A PF enxerga possível “retribuição” de favores.

Foto: Jornal O Tempo

A estrutura societária é sofisticada e em camadas exatamente no estilo Master. No fim da cadeia da SPE Npower Energia aparece a Maro Participações, ligada a Marcelo Aro, com Rubens Soalheiro como administrador. Aro nega qualquer interferência política na Cemig, diz que nunca esteve lá para tratar de assuntos e que a escolha de diretores foi técnica. Mas a foto de Soalheiro de camisa da “Família Aro” e a proximidade pública já viraram munição pronta para adversários.

Para o PL, isso não é detalhe. Associar o nome de Flávio Bolsonaro a alguém ligado, mesmo que indiretamente, a um dos maiores escândalos financeiros do país (Banco Master) e a indicações em estatal estadual é entregar munição grátis à oposição em Minas estado decisivo.

O rótulo de “traidor” e o histórico de rompimentos

Aro não chega limpo politicamente. Romeu Zema chamou publicamente de “traição” a decisão do ex-secretário de abandonar a chapa ao Senado com Mateus Simões para se lançar ao governo. Zema falou em “aves de rapina” e em abrir portas para “políticos vendidos” voltarem a destruir Minas. Mateus Simões também se disse decepcionado.

Não é a primeira vez. Aro tem um longo histórico de alianças e rompimentos: Eduardo Cunha, PHS, Podemos, prefeitos, aliados locais. Em 2023, o então presidente da Câmara de BH, Gabriel Azevedo, já previa que Simões seria a “próxima vítima”. O desgaste de carregar o rótulo de traidor por quem o acolheu no governo estadual é real e será explorado.

Processos, boletins e a acusação de agressão

Aro é citado em diversos processos e registros ao longo da carreira política. Além de brigas judiciais com adversários (como a queixa-crime contra Gabriel Azevedo por calúnia e difamação), há denúncias antigas sobre o uso de recursos do PHS quando presidiu o partido.

Uma ex-namorada  registrou boletim de ocorrência relatando que Marcelo a teria agredido com “socos e pontapés” por ciúmes, além de ameaças a ela e a amigos. Há outros dois registros policiais da época (desobediência e ameaça). Aro afirma que nenhum resultou em processo, indiciamento ou condenação e que são “garimpo de registros da juventude”. Mas o fato é público, está documentado e será usado.

Em tempos de polarização e de escrutínio moral, isso pesa especialmente para um partido que se apresenta como defensor da família e da ordem.

PL dividido: candidatura própria x entrega do governo

Vários deputados e lideranças importantes do PL em Minas defendem candidatura própria. Flávio Bolsonaro chegou a orientar nesse sentido caso Cleitinho não concorresse. Nomes como Vittorio Medioli e Flávio Roscoe foram cotados. Parte da direção estadual e a ala de Nikolas Ferreira também defende candidatura própria, mas a resistência interna persiste.

“Entregar o governo a um político do PP com esse histórico de controvérsias, ligações investigadas e desgaste de “traição” é um risco desnecessário. Minas é o segundo maior colégio eleitoral. Um palanque contaminado pode custar caro não só para a disputa estadual, mas para a campanha nacional de Flávio.” Afirma, Isabelle Xavier, analista político do Line7.

“O PL tem estrutura, militância e nomes próprios. Apostar em Aro é apostar em um pacote que inclui investigação da PF em torno da Cemig SIM, rótulo de traidor de Zema/Simões, acusações antigas de violência e uma teia societária que parece saída de um manual de ocultação. A oposição vai usar tudo isso. E o eleitor de direita mais exigente também vai notar.” Completa Isabelle.

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