A lula-vampiro do inferno (Vampyroteuthis infernalis), habitante das regiões abissais do oceano, surpreendeu cientistas ao revelar o maior genoma já identificado entre os cefalópodes. Segundo um estudo conduzido por pesquisadores da Áustria e do Japão e publicado na revista iScience, o material genético da espécie varia entre 11 e 14 gigabases, número muito superior ao antigo recorde de 5,5 gigabases da sépia-comum (Sepia officinalis).
Apesar do nome, a espécie não é classificada como uma lula. Trata-se do único representante vivo da ordem Vampyromorphida, uma linhagem remanescente de cerca de 183 milhões de anos. Por reunir características de lulas, polvos e chocos, ela é considerada um verdadeiro “fóssil vivo”, essencial para compreender a trajetória evolutiva dos cefalópodes.
O geneticista Oleg Simakov, da Universidade de Viena e coautor da pesquisa, destaca que a espécie “está exatamente na interface entre polvos e lulas”, e que seu genoma “expõe segredos profundos de como duas linhagens tão distintas conseguiram evoluir a partir de um ancestral comum”.
O exemplar analisado foi capturado acidentalmente por um navio de pesquisa na Baía de Suruga, no Japão. A lula-vampiro vive normalmente a mais de 600 metros de profundidade, em áreas de baixa luminosidade e condições extremas.
A análise revelou que seu genoma é de duas a quatro vezes maior que o das lulas modernas, que raramente ultrapassam 5 gigabases, e muito superior ao dos polvos, cujos genomas dificilmente chegam a 3 gigabases.
A descoberta amplia significativamente o conhecimento sobre a evolução e o desenvolvimento dos cefalópodes, colocando a lula-vampiro como uma das espécies mais importantes para desvendar as origens genéticas e morfológicas desse diverso grupo marinho.


