O Grupo Pão de Açúcar (GPA) iniciou um processo de recuperação extrajudicial para reorganizar passivos que somam cerca de R$ 4,5 bilhões. A medida tem como objetivo reestruturar dívidas financeiras consideradas não operacionais e já conta, segundo a companhia, com o apoio inicial de 46% dos credores envolvidos.
De acordo com o presidente do grupo, Alexandre Santoro, a iniciativa busca ajustar o perfil de endividamento da empresa sem comprometer as operações. Ele afirmou que o funcionamento das lojas, o pagamento a fornecedores, aluguéis e salários dos funcionários não serão afetados pela reestruturação. A decisão foi aprovada de forma unânime pelo conselho de administração da companhia.
Com o pedido protocolado, as obrigações com os credores envolvidos ficam suspensas por um período de 90 dias. Durante esse prazo, o GPA pretende avançar nas negociações para consolidar o plano de reestruturação. Para que o acordo seja homologado judicialmente, é necessária a adesão de mais da metade dos credores, ou seja, 50% mais um.
Segundo o diretor financeiro da empresa, Pedro Albuquerque, o plano não inclui débitos trabalhistas ou tributários. Parte das dívidas em negociação possui vencimentos de curto prazo, incluindo cerca de R$ 500 milhões previstos para maio e até R$ 1,3 bilhão em julho. No último balanço divulgado, a dívida líquida do grupo atingiu R$ 2 bilhões, representando um aumento de R$ 729 milhões.

