A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho deve ser votada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27). O texto propõe diminuir a carga horária para 36 horas semanais ao longo de dez anos.
Defensores da medida afirmam que mais tempo de descanso pode melhorar a qualidade de vida e aumentar a produtividade dos trabalhadores. Já economistas ouvidos pelo Broadcast, do Grupo Estado, apontam riscos para a economia brasileira, principalmente em relação ao aumento da informalidade e da pressão sobre empresas.
Segundo analistas, a redução da jornada sem corte salarial elevaria o custo da hora trabalhada, o que poderia incentivar contratações sem carteira assinada e diminuir vagas formais.
O economista José Ronaldo Souza Júnior, da Quantivis Analytics e ex-diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, afirmou que experiências internacionais com redução de jornada ocorreram em países que já apresentavam alta produtividade e baixa informalidade.
Dados da Fundação Getulio Vargas indicam que a produtividade brasileira avançou apenas 0,2% ao ano nas últimas quatro décadas. Segundo cálculos da consultoria 4intelligence, o país precisaria elevar a produtividade em cerca de 1,4% para evitar impacto negativo no PIB com a redução da jornada.
O economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, avalia que a medida pode aumentar custos operacionais e reduzir o potencial de crescimento econômico do país.
Especialistas também alertam que uma desaceleração do crescimento pode gerar mais pressão inflacionária e dificultar futuras reduções na taxa de juros.
Já o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, afirmou que a busca por mais tempo de lazer é natural, mas defendeu que mudanças na jornada sejam negociadas entre empresas e trabalhadores, e não impostas por lei.
As discussões sobre a proposta seguem em meio a debates sobre produtividade, direitos trabalhistas e os impactos econômicos da redução da carga horária no Brasil.
**** ESTADÃO CONTEÚDO


